• O que ganha uma eleição

     

    Em julho, publiquei um artigo em que afirmava: “Marketeiro não ganha eleição”. O tema causou controvérsia, benéfica eu diria, porque ao final todos estavam de acordo com a constatação de que há o fator primordial para a vitória.

    Recupero os pontos principais daquele artigo

    Todos sabem que o candidato é quem ganha a eleição, com seu passado, seu desempenho, sua força política
    Pode-se dizer que compete ao consultor político evitar que erros sejam cometidos no transcorrer da campanha.  No entanto, há candidatos que não aceitam determinada indicação do consultor e com isso podem pôr tudo a perder. E então eles costumam afirmar que “a culpa pela derrota é do marqueteiro”. Pode até ser, mas geralmente foi porque ele, o candidato, ignorou determinada linha que deveria ter sido seguida,

    Há candidatos que confiam no consultor e quem ganha com isso é a campanha como um todo. Na última eleição para prefeito, fiz a campanha de um candidato em uma das dez maiores cidades de São Paulo. No início do horário eleitoral, ele tinha cerca de 15% das intenções de votos. Seu oponente, também um ex-prefeito, estava por volta de 45%. Conduzimos a campanha de forma a resgatar o passado de realizações que o nosso candidato deixara, como prefeito, 20 anos antes, e como deputado federal atuante.

    O oponente, embora estivesse bem na frente nas pesquisas, preferiu seguir a linha do ataque direto. Já vira esse filme várias vezes. Com as avaliações das pesquisas e a experiência de quase 30 anos de campanhas políticas, recomendei ficarmos longe da postura de revidar os ataques ou responder passivamente a todos eles. Era essa atitude que a campanha adversária esperava que adotássemos. Seguimos o que havíamos definido desde o início da campanha. Programas otimistas, mostrando a realidade dinâmica da cidade, cidadãos falando sobre benefícios que tiveram com a administração do nosso candidato. Na realidade, nós fizemos nossa pauta de programas e não nos desviamos dela. Em outras palavras, seguimos nossa agenda política e nossa estratégia de Marketing Político Integrado.

    Conseguimos finalizar o Primeiro Turno com cerca de 6% de diferença, atrás do outro candidato. E no Segundo Turno viramos, ganhando com aquela mesma diferença em porcentagem.

    Poucos acreditavam nesse resultado. Até a emissora afiliada da TV Globo, resolveu montar o link de transmissão no comitê político do oponente na noite da apuração do Segundo Turno. Perderam a festa do nosso candidato vitorioso, que avançou pela noite.

    O voto de confiança do nosso candidato foi importante para o sucesso da campanha. Ficamos sempre atrás nas pesquisas – mesmo assim ele nunca colocou em dúvida a estratégia que definimos e seguimos até o final do Segundo Turno.

    Quem ganhou a eleição foi o nosso candidato: pelo seu passado de realizações, por ser Ficha Limpa e, principalmente, pela confiança irrestrita que manteve na nossa direção da campanha eleitoral.

    O adendo que quero fazer tem a ver com a campanha negativa. Nem sempre ela pode ser considerada como inadequada. Depende da hora, do candidato e da dose certa. Em linhas gerais o melhor é seguir o caminho expositivo das qualidades dos candidato e das suas gestões. Mas se for escolhido o ataque, ele precisa ser certeiro, no momento certo e cercado de preparativos que somente a pesquisa qualitativa permite consolidar. Se for no Primeiro Turno, há um sério risco de que parte dos eleitores do candidato atacante mudem para o lado de outro candidato fora da contenda. Portanto, é uma decisão estratégica.

    edsonhigo@marketingpoliticointegrado.com.br

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  • Na Política, mentira pode ter pernas longas

     

    A mentira é um dos maiores problemas que se podem enfrentar. Se for político, precisa tomar ainda mais cuidado. Afinal, para quem tem visibilidade pública redobram-se as possibilidades de cobrança.

    Nem todos pensam assim. Há políticos que se importam apenas com o momento. Acabam se esquecendo da memória virtual que perpetua todos os desmandos – e também as boas ações – que são cometidos.

    A memória da Internet é implacável. Cometa um deslize – efakes pronto você pode ser desmascarado na hora – ou em pouco tempo – na Rede Social. Na Política, principalmente. Existem aqueles que usam os meios digitais para denegrir políticos, pessoas com presença pública. Geralmente se escondem atrás de perfis fakes e pensam estar assim protegidos. Ledo engano. Com os recursos tecnológicos à disposição, as autoridades policiais chegam facilmente ao computador de onde partiram as infâmias. Confie na Polícia Civil e Federal em caso de ser vítima de tais ataques.

    Quando o político diz coisas que estão além da sua capacidade, ou garantem o que não podem afiançar, acabam colocando a sua imagem política no fogo da rejeição.

    Há casos clássicos.

    Existem imagens arquivadas de políticos que negaram de pé junto e até choraram – alguns – quando foram veiculadas informações de suspeitas policiais ou judiciais, geralmente nos telejornais de maior audiência. Algum tempo depois, verificava-se que tudo não passara de um grande show de mentira deslavada. Os políticos-atores eram comprovadamente culpados. Mentiram mais uma vez – a última – para o seu eleitorado.

    Há também aqueles que juram não ter conta no exterior. Mas graças à eficiência da justiça de países de primeiro mundo acabam sendo processados com provas documentais. Alguns são inseridos nas listagens de procurados pela polícia internacional.

    É também por casos como esses que a classe política está com índices muito elevados de rejeição. O que não se deve generalizar: afinal, existem políticos dignos de confiança.

    O exemplo contrário também é digno de nota. Existem políticos que admitem os erros, assumem a culpa em público e podem ser até perdoados por seus eleitores. São casos mais frequentes nos Estados Unidos, Inglaterra e em países nórdicos.

    O que se pode aprender diante desses cenários, para quem é pré-candidato:

    1. Nunca minta. Quando prometer alguma obra, faça com a consciência de que vai realizá-la. Pode ser que as circunstâncias impeçam. Isso pode acontecer e você terá condições de explicar a real situação do que aconteceu.
    2. Seja você sempre. Com isso, você adotará ações que sabe serem possíveis.
    3. Tenha em mente o propósito de sua candidatura. Se for por motivo menor, ela pode minguar com o tempo. Campanha é um processo muito difícil.
    4. Para os pré-candidatos a vereador, seja simples. Trabalhe, trabalhe, trabalhe pela sua candidatura e a do prefeito da sua coligação. Traição é um pecado do tamanho da mentira.

    Edson Higo

     

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  • Marqueteiro não ganha eleição

    Os consultores de Comunicação Política – designação mais adequada ao nosso trabalho profissional no lugar de “marqueteiros” – sabem muito bem que a afirmação do título é verdadeira. Alguns políticos fazem questão de repeti-la, principalmente quando ganham uma eleição.

    E eles têm razão. Todos sabem que o candidato é quem ganha a eleição, com seu passado, seu desempenho, sua força política
    Pode-se dizer que compete ao consultor evitar que erros sejam cometidos.  No entanto, há candidatos que não aceitam determinada indicação do consultor e com isso podem pôr tudo a perder. E então eles costumam afirmar que “a culpa pela derrota é do marqueteiro”. Pode até ser, mas geralmente foi porque ele, o candidato, ignorou determinada linha que deveria ter sido seguida.

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